arte barulhenta

é questão de sobrevivência não ter piedade

tua falsidade não é páreo pra minha verdade

malandragem é efeito da precariedade

só tô buscando me eternizar

é muito bom ser sucinto

e saber se comunicar

o poder de expressar

meu ímpeto incendiário

o bagulho é ser objetivo

o punk e o rap são primos

eu já me provei brabo, sinistro

e foi só ouvir a voz do peito

no pique faça você mesmo

quem é, sentiu

quem não é, ignorou

não entendeu, nem ligou

não consegue levar a sério

linguagem não é só forma

tenho que te lembrar o óbvio?

tudo que eu digo é nada que tu entende

agora o diálogo ficou inviável

e a ruptura ficou inevitável

a irreverência de falar na lata

relação espiritual com a rua

é preciso fazer barulho

será que tu aguenta

esse que é o bagulho

fazer arte barulhenta

a manhã é a primavera do dia

a infância é a primavera da vida

e tem quem queira ficar nela

manter a inocência eterna

enquanto não tive escolha

a não ser aprender na porrada

a não ser sair da tua bolha

não esquece quem apanha na cara

depois disso o próximo tu mata

liberação é elaborar o trauma

tô vendo que não tô sozinho

no espiritual nem no físico

e tu que é toda desenhada

e não conseguiu ser descolada

no máximo descolada da realidade

esperava mais de quem fez faculdade

rugas lembram que não nasci ontem

e os meus cabelos brancos também

fotografia em movimento é cinema

tipo essa poesia cantada é música

lugar que rola o movimento é a rua

uma fonte infinita de conhecimento

próprio de um universo marginalizado

regado de puta, traficante e viciado

onde se fala um certo dialeto

que se tu falar é reconhecido

assim tu mostra que é esperto

mas o clima aqui é pesado

se bater de frente dois brabo

nós vamo ver quem é mais brabo

essas coisas são o cotidiano

bolha dos prazeres mundanos

fora dela a vida tá um morango

aqui fazer merda é sobreviver

coisa tão difícil pra tu entender

que sempre foi matar ou morrer

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

caos e ordem

4. intuição

estudar é guerra